9 de junho de 2013

amanhã

Um homem deitado em sua cama, olhando uma mancha de água em seu teto.
É uma infiltração, mas ele não tentou resolver. Não falou pra ninguém. Só fica ali observando. É mais fácil. É só uma mancha.
Fica imaginando o dia em que um buraco vai se abrir no teto.
Tudo vai desabar sobre sua cabeça. Água, concreto, tinta, rejunte - tudo caindo sobre sua cama enquanto dorme.
Mas não aconteceu hoje. Ainda bem.
Então é só dormir tranquilo e seguir com sua vida amanhã. Sem ter que se preocupar com essa mancha, amanhã é outro dia.
Novas pessoas, novos lugares, novos trabalhos, novas fomes.
À noite, tudo pode desabar.
Mas tudo bem.
Amanhã é outro dia.

(da gaveta de 2010)

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